Tempo Agora
Rádio UFS

Área Restrita



Idealização do Site

Site idealizado por João Vieira dos Santos Filho, discente de Engenharia Agronômica, com o total apoio do Departamento de Agronomia da UFS através do Professor Dr. Alceu Pedrotti chefe de departamento na época, com o objetivo de conter materiais didáticos e textos de referência, materiais importantes para auxiliar os estudantes nas pesquisas acadêmicas e informações no ensino da Engenharia Agronômica e ciências afins.

Entendemos esse projeto educacional como uma forma de prestação de serviços a comunidade estudantil, em função dos esforços do DEA em proporcionar as ciências agrícolas um alto nível de qualidade no ensino do curso de Engenharia Agronômica.

Leia mais...

 

Mural de Recados
Contador

Fert. & Corretivos

postheadericon Nutrientes

Nutrientes

Um vegetal não se desenvolve normalmente se não obtiver os nutrientes que são necessários para o seu crescimento. Os elementos minerais essenciais são: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, boro, cloro, ferro, manganésio, zinco, cobre, molibidênio e níquel. Os elementos não minerais essenciais, (elementos captados como gás ou água) são: hidrogênio, oxigênio e carbono. Os elementos benéficos, são os que promovem o crescimento em várias plantas, mas que não são absolutamente necessários para que se complete o ciclo de vida da planta, ou que não age diretamente na planta: sílica, sódio, cobalto e selênio .

Os nutrientes indispensáveis são absorvidos pelas plantas em quantidades especificas, necessárias para o seu desenvolvimento e podem ser divididos de acordo com a concentração relativa nos tecidos da planta em micro e macronutrientes. Os macronutrientes N, K, Ca, Mg, P, e S, fazem parte de moléculas essenciais, são necessários em grandes quantidades e tem função estrutural (Tabela 1). Os micronutrientes  Cl, Fe, B, Mn, Zn, Cu, e Mo, fazem parte das enzimas e tem função reguladora, sendo necessários em quantidades menores (Tabela 2). Esta divisão não significa que um nutriente seja mais importante do que outro, apenas que eles são necessários em quantidades e concentrações diferentes (Tabela 3).

Tabela 1 - Concentrações típicas para o crescimento das plantas.

Elemento

Símbolo

mg kg-¹

Percentagem

Nitrogênio

N

15.000

1,5

Potássio

K

10.000

1,0

Cálcio

Ca

5.000

0,5

Magnésio

Mg

2.000

0,2

Fósforo

P

2.000

0,2

Enxofre

S

1.000

0,1

Cloro

Cl

100

-

Ferro

Fe

100

-

Boro

B

20

-

Manganês

Mn

50

-

Zinco

Zn

20

-

Cobre

Cu

6

-

Molibdênio

Mo

0,1

-

Fonte: EPSTEIN, P.  Mineral metabolism. IN: BONNER, J.; VARNER, J.E. (eds.). Plant Biochemistry London: Academic Press, 1965. p. 438 - 466.

Tabela 2 - Carga iônica:  Cátions e ânions, baseado na carga positiva ou negativa da forma iônica do elemento quando ele é absorvido pelas raízes da planta.

Cátion3+

Cátion2+

Cátion +

Neutron(0)

Ânion-1

Ânion-2

Macronutrientes

Ca2+

Mg2+

K+

NH4+

NO3-

H2PO4-

HPO42-

SO42-

Micronutrientes

Fe3+

Fe2+

Mn2+

Zn2+

Cu2+

B(OH)3

Cl-

MoO42-

Tabela 3 - Os nutrientes são absorvidos pelas plantas em diferentes formas iônicas.

Nutriente

Preferencial

Eventual

Nitrogênio

NO3-

NH 4+

Fósforo

H2PO4-

HPO4-

Potássio

K+

-

Cálcio

Ca++

-

Magnésio

Mg++

-

Enxofre

SO4-

-

Boro

H3BO3

H2BO3-

Cloro

Cl-

-

Cobre

Cu++

-

Ferro

Fe+++

Fe++

Manganês

Mn++

-

Molibdênio

MoO4--

-

Zinco

Zn++

-

Fonte: MALAVOLTA, E. (1980); RAIJ, B. V. (1983)

Essas variações nas necessidades das plantas na estrutura e nas características químicas dos elementos devem ser consideradas quando da adubação. Quase todos os elementos são captados como íons, com cargas de +2, +1, -1,  -2. Os  nutrientes não são absorvidos na forma orgânica, resultando que todos os fertilizantes orgânicos devem passar por mineralização de nutrientes para se tornar disponíveis para as plantas.

A deficiência de nutrientes minerais nos solos, acarreta uma serie de problemas para a produção, causando alterações no metabolismo e no suprimento adequado do elemento.

As plantas apresentam sintomas indicadores das deficiências. Estes indicadores dependem da função do elemento deficiente na planta e da mobilidade no vegetal. As deficiências de nutrientes das plantas têm vários sintomas observáveis os quais normalmente são semelhantes, independente da espécie da planta.

O sintoma de deficiência mais comum na maioria das plantas é a redução do crescimento, entretanto ocorrem outros sintomas como a mudanças de coloração que apresentam padrões específicos, partindo da ponta da folha passando pela nervura central até a base, ou da margem para a nervura central, ou entre as nervuras. Os sintomas de deficiência mineral podem aparecer nas folhas novas ou nas folhas mais velhas, indicando a mobilidade do nutriente na planta e a habilidade da planta em translocar estoques existentes deste nutriente. Os íons variam em sua mobilidade tanto no solo como na planta. Os íons  N, P, K, Mg, Cl apresentam maior mobilidade; S, Cu, Fe, Mn, Zn, Mo, são íons de pouca mobilidade e Ca e B são imóveis.

Muitos tipos de alterações nas plantas devido a causas ambientais ou por manejo inadequado podem causar uma aparência semelhante a dos sintomas de deficiências nutricionais observáveis.

Nitrogênio (N)

É um dos nutrientes mais exigidos quantitativamente pela maioria das plantas. Atua em todas as fases, crescimento, floração, e frutificação. As plantas absorvem o N em suas formas iônicas, NO3- e NH4+ . Entra principalmente na constituição de compostos orgânicos, é um nutriente móvel. Em excesso provoca um crescimento vegetal acelerado, originando folhas de cor verde-escura, ocorre uma diminuição da resistência a doenças, um retardamento da floração e o ciclo de vida, pode ser reduzido. A carência de nitrogênio reduz o crescimento foliar, aumento do sistema radicular provoca clorose foliar, amarelecimento e queda das folhas os ramos caulinares ficam avermelhados, os sintomas aparecem inicialmente nas partes velhas da planta.

Fósforo (P)

Também intervém na formação de compostos orgânicos, produção de energia, na respiração, divisão celular e em diversos outros processos metabólicos, como nas substâncias de reserva. é um nutriente móvel. As formas iônicas absorvidas pelas plantas são o H2PO4- e HPO42-. A carência de fósforo reduz o crescimento do caule e radicular provocando o aparecimento de necroses nas folhas e pecíolos, as células deixarão fazer o seu metabolismo e morrerão. As folhas jovens têm tendência para escurecer ou ficar verde-azuladas, as mais velhas ficam vermelhas. Numa fase inicial, os sintomas acentuam-se nas partes mais velhas da planta.

Potássio (K)

É um dos macronutrientes mais consumidos pela planta, juntamente com o nitrogênio. Favorece a formação de raízes, amadurecimento dos frutos, etc. Os frutos e tecidos meristemáticos possuem alto teor de potássio. Seu papel principal é o de ativador de funções enzimáticas e de manutenção da turgidez celular. A forma iônica absorvida pelas plantas é o K+ .É um nutriente móvel. A carência de potássio provoca um crescimento vegetal muito reduzido, clorose matizada da folha, manchas necróticas, folhas recurvadas e enroladas sobre a face superior e encurtamento de entrenós. Inicialmente, os sintomas acentuam-se nas zonas mais velhas das plantas.

Enxofre (S)

Encontra-se em sua maior parte na composição das proteínas, associadas ao nitrogênio. Participa na formação de alguns aminoácidos essenciais ao metabolismo energético, intervém na síntese de compostos orgânicos, em especial vitaminas e enzimas, sendo um nutriente imóvel. A forma iônica absorvida pelas plantas é o SO42-. A carência de enxofre reduz o crescimento vegetal, provocando a clorose foliar, as folhas permanecem mais escuras e opacas, com tonalidade amarelo-esverdeada. Inicialmente, os sintomas se manifestam nas zonas mais novas da planta.

Cálcio (Ca)

Contribui para o fortalecimento de todos os órgãos das plantas, principalmente raízes e folhas, é um componente da parede celular vegetal, sendo necessário, para a manutenção da estrutura, ativação da amilase, é um nutriente imóvel. Em excesso, altera o ritmo da divisão celular. Também é importante na manutenção do equilíbrio entre alcalinidade e acidez do meio e da seiva das plantas. A forma iônica absorvida pelas plantas é o Ca2+. A carência de cálcio causa a malformações nas folhas jovens, encurvamento dos ápices, clorose marginal que evolui para necrose, levando a folha a morrer da extremidade para o centro. Ocorre a redução do crescimento radicular, e mudança da coloração das raízes para castanho. Inicialmente, os sintomas acentuam-se nas zonas mais jovens das plantas.

Magnésio (Mg)

É parte integrante da molécula da clorofila, e por isso está diretamente ligado ao metabolismo energético das plantas. A forma iônica absorvida pelas plantas é o Mg2+. É um nutriente móvel que, em excesso, provoca interferências na absorção de cálcio e potássio. A carência de magnésio provoca cloroses entre as nervuras, espalhando-se das margens para o centro das folhas, encurtamento de entrenós, redução do crescimento vegetal, inibição da floração, morte prematura das folhas e degeneração dos frutos. Inicialmente, os sintomas acentuam-se nas zonas mais velhas das plantas.

Ferro (Fe)

É um constituinte do grupo prostético de proteínas, necessário à síntese de clorofila e à divisão celular, atua na fixação do nitrogênio e desenvolvimento do tronco e raízes, é um nutriente imóvel. A forma iônica absorvida pelas plantas é Fe2+. A carência de ferro provoca uma extensa clorose foliar em que as nervuras permanecem verdes, uma redução do crescimento vegetal, inibição do desenvolvimento de primórdios foliares. Inicialmente, os sintomas aparecem nas zonas mais jovens das plantas.

Cobre (Cu)

É um componente das metalo-enzimas e receptor intermediário de elétrons, tem papel importante na fotossíntese, respiração, redução e fixação de nitrogênio sendo um nutriente imóvel. A forma iônica absorvida pelas plantas é Cu2+. A carência de cobre altera a tonalidade das folhas, tornando-as verde-azuladas e enroladas que permanecem alongadas, deformadas e com as margens cloróticas voltadas para baixo. Nos cereais, a extremidade da folha se torna branca e pode cair. Inicialmente, os sintomas acentuam-se nas zonas mais jovens das plantas.

Manganês (Mn)

É um ativador enzimático, controlando reações de oxi redução essenciais à fotossíntese e síntese de clorofila, sendo um nutriente imóvel. A forma iônica absorvida pelas plantas é Mn2+. A carência de manganês provoca clorose intervenal nas zonas mais jovens, enrolamento e queda de folhas e aparecimento de pontos necróticos espalhados nas folhas. Inicialmente, os sintomas surgem  nas zonas mais velhas das plantas.

Zinco (Zn)

É uma ativador enzimático, e um nutriente móvel. A carência de zinco provoca uma redução do crescimento vegetal, impedindo o alongamento dos caules e a expansão foliar e interfere na frutificação. Inicialmente, os sintomas acentuam-se nas zonas mais jovens das plantas.

Molibdênio (Mo)

É essencial para a fixação de nitrogênio e assimilação de nitratos, sendo um nutriente imóvel. A carência de molibdênio origina manchas cloróticas intervenais seguidas de necrose marginal e enrolamento foliar, interferindo na frutificação. Inicialmente, os sintomas acentuam-se nas zonas mais jovens das plantas.

Boro (B)

Atua no metabolismo de carboidratos e transportes de açúcares através de membaranas, na formação da parede celular, divisão celular, no movimento da seiva. Contribui para a maior força e resistência de todos os tecidos vegetais Atua no desenvolvimento das folhas e dos brotos. A forma iônica absorvida pelas plantas é H3BO3. A carência de boro afeta os órgãos de reserva e desorganiza os meristemas, causando a morte das extremidades caulinares, e pecíolos quebradiços. A floração é completamente suprimida ou originam-se frutos e sementes anormais. Inicialmente, os sintomas acentuam-se nas zonas mais jovens das plantas.

Cloro (Cl)

Está ligado ao metabolismo da água e a transpiração das plantas, além de participar da fotossíntese, sendo um nutriente móvel. A forma iônica absorvida pelas plantas é Cl-. A carência de cloro reduz o crescimento vegetal e provoca o aparecimento de folhas murchas por clorose e necrose, bem como o atrofiamento das raízes. Inicialmente, os sintomas acentuam-se nas zonas mais velhas das plantas. A carência de cloro é raríssima, é mais comum encontrarmos excesso do que a deficiência deste micronutriente. A toxidez do cloro é caracterizada pela queima das margens das folhas localizadas externamente na planta.

Ecila Maria Nunes Giracca                            José Luis da Silva Nunes

Eng. Agrª, Drª em Ciência do Solo               Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia

Última atualização (Ter, 28 de Fevereiro de 2012 00:44)